Era dia 25 de dezembro e quase todo mundo havia sido feliz: um garoto intelectual ganhara um computador mais atual. O outro, metido à ciclista, ganhara a bicicleta. E o outro, que nem esperava por presentes, ganhara um jogo fascinante. As creches e hospitais se encheram de pessoas fantasiadas levando brinquedos usados às crianças, que se maravilharam.
Vi também nos olhos do menino de rua o brilho das festas natalinas. Aliás, foi ele quem mais de perto assistiu a transformação da cidade: árvores se colorindo... Lojas virando lugares mágicos... Papai Noel andando pelas ruas... Ficou por isso encantado com o espírito de Natal e se aquietou. Trocou o estilete por uma caixa de papel onde as pessoas, inspiradas pelo clima de boa vontade, depositavam trocados. E até aquele menino que, por ser quase adulto não conseguiu dinheiro algum, na Noite Feliz foi até o ponto mais alto da cidade e de lá, com um gosto de festa na boca, enterneceu-se tanto com o espetáculo das luzes, que se pôs a chorar: Era sua felicidade chegando como um presente de Natal.
Feliz Natal