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O anel rodoviário de Belo Horizonte é recorde em mortes por acidentes. Há muito as autoridades vêm prometendo trabalhar
naquela área no sentido de diminuir as tragédias que ali se instalaram, mas nada acontece.
Aliás, acontecem sim acidentes como aquele que matou cinco pessoas, entre elas duas crianças.
Dizem que o motorista do caminhão vinha em alta velocidade e saiu arrastando todos os carros que estavam à sua frente matando assim as pessoas que neles se encontravam.
O que não nos surpreende é de que, neste acidente, esteja envolvido um caminhão, pois praticamente, todos eles estão. Não sei se é por displicência do motorista que, de cima daquele veículo possante, sente-se poderoso a tal ponto de arriscar outras vidas já que com a dele nada acontece.
Ouvi também falar que o freio do caminhão, quando muito acionado, tem o óleo raleado o que o impedi de frear quando necessário.
Pelo sim e pelo não acredito que, uma lei que proibisse o trânsito destes veículos nas horas de pico, seria muito bem vinda. Minimizaria intensamente o número de acidentes.
Assim como uma legislação feita especialmente para veículos pesados, haja visto que a maioria destes mostra um visível desprezo por veículos de passeio e até por ônibus.
Volto agora para aquele acidente em especial envolvendo não sei quantos carros arrastados por um caminhão que estava a cento e quinze por hora. Não sei se o motorista continua preso. As notícias são de que ele seria indiciado por homicídio culposo e que poderia pegar trinta anos de prisão.
Com a impunidade rolando solta neste país, ele pega os trinta anos e sai em cinco por bom comportamento pra poder continuar matando mais alguns por aí.
Mas o que me emocionou muito naquela tragédia (além daquelas vidas tiradas de maneira tão cruel) foi a presença daquele garoto que tinha no máximo dezesseis anos e correu a acudir os acidentados. A dor que ele nos passou foi tão grande que extrapolou visivelmente as suas palavras. A perplexidade com que relatava o ocorrido em meio a soluços e gestos desconexos me atingiu em cheio o coração. E ele era apenas mais um que assistira o acontecido de perto. Com lágrimas descendo pelo rosto ele entrara em ação para acudir o que havia sobrado daquilo tudo. Era uma criança que mesmo sofrendo tentava ajudar, que se indignava e não conseguia conter o pranto diante de tanta violência. . Ele chorava não só pelo acontecido, mas também pela morte daquelas pessoas que ele nem conhecia.
Pude ver o desespero em seu semblante em frente às câmaras.
Veio-me um sentimento de admiração por aquele garoto e ao e ao mesmo tempo de orgulho ao ver ali uma pessoa tão humana. Senti-me violada por seu sofrimento e ao mesmo tempo acalentada por seu humanismo. E ele era apenas uma criança!
Cada ser humano que se esvai é um pedaço de nós sendo arrancado. Deve ser assim o pensamento daquele pequeno herói.
Pois é. A dor dele foi minha também.
Quero te dizer, garoto, que você é um desses anjos que existem por aí e que ninguém acredita.
E apesar desta frase ser um lugar comum eu ainda tenho que dize-la: Obrigada por você existir.