quarta-feira, 15 de junho de 2011

AS CRIANÇAS CRESCERAM

As crianças cresceram.
Pode até ter levado um tempo considerável mas, de repente, parece que foi de súbito.
Ontem mesmo você as aninhava em seus braços e elas cabiam todas dentro deles.
Curava um machucado com um beijo.
Contava-lhes histórias sobre Tilzinho, um cachorro pequeno e peludo cuja coragem era tanta que o levava a desafiar o Lobo (o maior e mais feroz cão de sua rua) numa disputa acirrada por um pedaço de osso.
Elas se encantavam.
Brincavam da cabaninha situada em uma floresta densa e selvagem (O jardim de sua casa), onde residiam fadas e bruxos poderosos que combatiam o mau.
Esconde-esconde, nem se fala! Quantas vezes você ficava por horas fingindo que não sabia onde elas se escondiam, criando um maravilhoso suspense até encontrá-las ou deixando que elas se antecipassem a você e gritassem: - pique!
Mas as crianças cresceram.
Uns são adolescentes, outros viraram adultos e até os que ainda são crianças, com o desenvolvimento desenfreado da tecnologia, cresceram antes do tempo. A estes as brincadeiras que você tem a oferecer são muito inocentes em comparação ao milhão de jogos pela internet. Você não entende dessas coisas. Você só entende de cantigas, de contos de fadas, de roda, de pula-pula, de viagens imaginárias. Você é um Dinossauro.
Pois é: as crianças cresceram
E hoje você as vê tecendo a própria jornada pela sobrevivência e na tentativa de também escrever o nome na história.
E você tem certeza que elas, cada uma, a sua maneira, o fará.
São todas quase gênios!
E aí vem aquela dor: Não poderá mais protegê-los. Porque o mundo lá fora não é fácil. Você bem o sabe! Há banalização de valores o que resulta na violência desenfreada. A competitividade
Impelindo o indivíduo ao aprimoramento como também o excluindo, incentivando-lhe o impulso de ultrapassar o outro a qualquer preço, ferindo assim a própria ética. Há um descaso pelo humanismo... Há que se questionar sempre para não ser ludibriado...
É! As crianças cresceram.
Lembra então com saudade de quando sempre tinha pra elas todas as respostas e quando não as tinha o silêncio já o era.
De quando torcia para que crescessem felizes como se apresentavam e sonhava sempre estar próxima, acompanhando-as passo por passo.
Agora, mais que nunca, você as quer feliz. Mesmo que isto lhe custe a ausência delas ou outro preço qualquer.
Por isso, todas as noites, mesmo não acreditando em anjos, você ora com fervor pro Deus Todo poderoso colocar em suas vidas o que for que exista: Anjo, espírito... Um protetor!
Pedindo que estes lhes tirem as pedras do caminho. Mas, se isso não for possível, que lhes aponte pelo menos as estradas menos íngremes, onde possam transitar, carregando livremente toda a beleza e o amor que elas lhes mostraram um dia.



segunda-feira, 16 de maio de 2011

SOBRE VIAGENS


Conversando com a minha irmã sobre viagens ela ponderou que estava viajando muito pouco este ano, concluindo ser impossível aproveitar férias sem as viagens.
Eu, que não viajo tanto assim, fiquei pensando no assunto e descobri que, quando me propunha,conseguia viajar muitas vezes em minhas horas de folga, mesmo estando em casa. Por exemplo uma viagem pelo meu guarda roupa..
É sim! Uma viagem pelo seu guarda roupa!
Você descobre tantas peças bonitas que você se esqueceu que tinha e tanta maquiagem (inclusive baton) que você encostou e esta super na moda. Você vai recordando das pessoas que te deram esta ou aquela peça. Um lápis ou um baton costuma trazer recordações que foram muito agradáveis. Além de você se descobrir com um novo guarda roupa ainda revive os momentos que foram importantes na sua vida.
Uma viagem pelo livro crime e castigo vai medir o seu amadurecimento desde a última vez que o leu.
Outras viagens: reler Rubem Alves com suas mensagens otimistas ou rir um pouco com Luiz Fernando Veríssimo.
Criar um novo álbum de fotografias que contam os seus momentos mais importantes pode ser também uma viagem muito prazerosa.
Outras:
Você pode reler seus e-mails mais bonitos e ler aqueles que, por falta de tempo, você ainda não acessou.
Você pode curtir mais os seus filhos que não estarão distraídos com alguma atração, mas vivendo o dia a dia: O que mais os impressiona? Quando sorriem mais? Meça a alegria que eles têm lhe dado relembrando aqueles momentos em que se mostrarão tão inteligentes!
Você pode bolar uma surpresa íntima pra fazer ao seu marido.
Você pode visitar aquela amiga com quem está em falta faz anos e até pensar em levar um presentinho como pedido de desculpas.
Você pode ir à feira hippie e já começar a analisar quais os presentes que você vai comprar pro fim do ano.
Fazer uma viagem no seu visual é prioridade. Mude a cor do seu cabelo.
Nada melhor que uma viagem pelos shoppings para subir o astral (é lógico que aproveitando para fazer umas comprinhas).
Você pode também começar a fazer aquele curso que vem protelando já faz algum tempo mesmo sabendo que irá lhe dar muita alegria.
Você pode bolar um almoço no sábado e chamar toda sua família.
Você pode ir visitar o sítio de seu irmão que já deve estar todo florido. Comer as frutas que estiverem nascendo ou simplesmente deitar na rede e ficar ouvindo Almir Sater...
Adriana Calcanhoto...
Deve haver também alguns lançamentos de filmes interessantes nas locadoras.
Lembra daqueles brotos que estavam florindo na praça. Vá ver em que flores eles se tornaram.
Troque fofocas com aquela colega de língua grande.
Se depois de todas essas viagens você ainda não conseguir aproveitar as férias em casa mude o seu cardápio. Experimente receitas novas na cozinha. Nada dá mais prazer do que saborear um almoço diferente principalmente se ele lhe recorda alguma viagem.


sexta-feira, 8 de abril de 2011

DESCOBRI QUE NASCI HOJE





Descobri que nasci hoje.
Sim, nasci hoje.
Aliás, descobri que tenho nascido todos os dias todos esses anos e eu nem tinha notado.
Hoje, por exemplo, nasci mais forte que nos outros dias. Com mais gana para reivindicar justiça. Com mais coragem para me certificar do óbvio. Com mais pressa para beber a água na fonte da vida.
Certifico-me também que esses sentidos têm me acompanhado anos esperando o momento de aflorar nesta quantidade. Pensando bem eles foram aflorando centímetros a cada dia (que eu nascia) até se tornarem os quilômetros de que são feitos agora.
Não sei se amanhã serão ainda parte de mim, pois serei outra e pode muito bem acontecer de que, o que eu vinha acumulando em anos, passe a não ser mais tão importante quanto o é hoje. Ou que, simplesmente, esses sentidos se aglutinem e se transformem em outro ainda maior e mais forte.
Nascerei de novo amanhã.
Da janela do meu quarto verei nascendo também um novo dia.
Minha casa será uma nova casa. Minha família com mais luzes e sombras somadas ao seu aspecto.
O canto dos pássaros virá em tons e horários diferentes.
Eu ou alguém do meu convívio terei uma ruga e ou uma luz a mais nos olhos.
Histórias de todo tipo já terão acontecido virando notícia ou não.
Adversidades se proporão em formas de dificuldades que, pode crer, só acrescentarão.

sábado, 5 de março de 2011

O ANJO

                                               

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O anel rodoviário de Belo Horizonte é recorde em mortes por acidentes. Há muito as autoridades vêm prometendo trabalhar
naquela área no sentido de diminuir as tragédias que ali se instalaram, mas nada acontece.
Aliás, acontecem sim acidentes como aquele que matou cinco pessoas, entre elas duas crianças.
Dizem que o motorista do caminhão vinha em alta velocidade e saiu arrastando todos os carros que estavam à sua frente matando assim as pessoas que neles se encontravam.
O que não nos surpreende é de que, neste acidente, esteja envolvido um caminhão, pois praticamente, todos eles estão. Não sei se é por displicência do motorista que, de cima daquele veículo possante, sente-se poderoso a tal ponto de arriscar outras vidas já que com a dele nada acontece.
Ouvi também falar que o freio do caminhão, quando muito acionado, tem o óleo raleado o que o impedi de frear quando necessário.
Pelo sim e pelo não acredito que, uma lei que proibisse o trânsito destes veículos nas horas de pico, seria muito bem vinda.  Minimizaria intensamente o número de acidentes.
Assim como uma legislação feita especialmente para veículos pesados, haja visto que a maioria destes mostra um visível desprezo por veículos de passeio e até por ônibus.
Volto agora para aquele acidente em especial envolvendo não sei quantos carros arrastados por um caminhão que estava a cento e quinze por hora. Não sei se o motorista continua preso. As notícias são de que ele seria indiciado por homicídio culposo e que poderia pegar trinta anos de prisão.
Com a impunidade rolando solta neste país, ele pega os trinta anos e sai em cinco por bom comportamento pra poder continuar matando mais alguns por aí.
Mas o que me emocionou muito naquela tragédia (além daquelas vidas tiradas de maneira tão cruel) foi a presença daquele garoto que tinha no máximo dezesseis anos e correu a acudir os acidentados. A dor que ele nos passou foi tão grande que extrapolou visivelmente as suas palavras. A perplexidade com que relatava o ocorrido em meio a soluços e gestos desconexos me atingiu em cheio o coração. E ele era apenas mais um que assistira o acontecido de perto. Com lágrimas descendo pelo rosto ele entrara em ação para acudir o que havia sobrado daquilo tudo. Era uma criança que mesmo sofrendo tentava ajudar, que se indignava e não conseguia conter o pranto diante de tanta violência. . Ele chorava não só pelo acontecido, mas também pela morte daquelas pessoas que ele nem conhecia.
Pude ver o desespero em seu semblante em frente às câmaras.
Veio-me um sentimento de admiração por aquele garoto e ao e ao mesmo tempo de orgulho ao ver ali uma pessoa tão humana. Senti-me violada por seu sofrimento e ao mesmo tempo acalentada por seu humanismo. E ele era apenas uma criança!
Cada ser humano que se esvai é um pedaço de nós sendo arrancado. Deve ser assim o pensamento daquele pequeno herói.
Pois é. A dor dele foi minha também.
Quero te dizer, garoto, que você é um desses anjos que existem por aí e que ninguém acredita.
E apesar desta frase ser um lugar comum eu ainda tenho que dize-la: Obrigada por você existir.
                                              

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

PASSANDO APERTO

                                     


A gente sofre por detalhes que não têm tanta relevância assim como é o caso que vou lhes contar:
Fui conhecer a casa nova do sítio do meu irmão. Já havia ido lá algumas vezes para passear mas a casa não estava pronta. Quando ela ficou pronta aconteceu sua inauguração mas na época não pude ir. No fim de semana passado aproveitei a oportunidade de ir até lá passear e ver como havia ficado a obra.
Surpreendi-me com a beleza do lugar que estava todo florido e cheio de árvores frutíferas de onde provei frutos que eu até desconhecia. A casa mãe estava lá: toda imperiosa, pintada de tomate verde por fora e de areia por dentro. Toda rodeada de vidros dava para vislumbrar todo verde de qualquer parte dela. O closet lindo. Muito bem dividido. Uma beleza a banheira de hidromassagem de onde se podia, enquanto se banhava, curtir toda a paisagem ao seu redor A cozinha era imensa. Muito bem decorada com seus utensílios e seu fogão à lenha especialmente construído para aquele local. Meu irmão mostrou-me uma tábua de corte que havia ganhado de sua mulher e disse o preço dela: quatrocentos reais. Fiquei surpresa ao saber que existiam tábuas de corte naquele preço.
Ficamos eu e meu irmão conversando muito enquanto ele ao mesmo tempo dava ordens aos funcionários que ali trabalhavam dando um retoque final àquele conjunto.
Foi quando chegou o momento de prepararmos alguma coisa para comer.
Ele se encaminhou pro freezer e descobriu que ele estava desligado e que toda a carne que estava estocada havia se perdido.
Chateado por ter perdido as carnes especiais que havia comprado foi providenciar o enterro dela já que por ali não passava o lixeiro. Mas antes disso tirou da geladeira uma lingüiça e pediu que eu a preparasse juntamente com uma cebola que estava no cesto. Tendo feito isso foi embora dar seguimento ao que já citei.
Pus a lingüiça para fermentar e peguei a cebola para cortar. Quando procurei um lugar para cortar a cebola dei de cara com a tábua de quatrocentos reais. Lisinha, novinha, sem um furo, até brilhando. Pensei: — Meu Deus! Como eu vou cortar essa cebola nesta tábua nova deste jeito sem arranhá-la?
Olhei para a pia. Talvez eu devesse cortar na pia. Mas se a tábua custou quatrocentos reais a pia custou mil. Que que eu faço? Tábua pia, pia tábua, tábua pia, pia tábua, vou à tábua. Ai meu Deus! Fui para tábua! Olhei em frente havia um faqueiro de onde tirei uma faca para cortar a cebola. Quando olhei para a faca a lâmina brilhava. Falei: Meu Deus, isto deve cortar até pensamento. Mas vou adiante. Seja o que Deus quiser. Da próxima vez trago a tábua lá de casa de hum e noventa e nove. Pus a faca sobre a cebola em cima da tábua. Respirei fundo e comecei a tarefa. A faca estava tão afiada que cortava a cebola sozinha. Eu a segurava e quando chegava ao meio do legume parava e passava a empurrá-la suavemente afim de que ela não se encostasse à tábua quando chegasse ao final. Fui fazendo assim e por fim para minha surpresa consegui cortar a cebola sem nenhuma sequela. Nem imaginam o alívio que senti.
Fui cuidar da lingüiça  que estava no fogo. Retirei-a do fogão, despejei a água na pia e pensei: E agora? Como vou cortar a lingüiça? Não vai dar pra cortar na tábua, não! Vai arranhar a tábua toda.
Decidi: Cortei a lingüiça dentro da panela mesmo.
Imaginem então como ela ficou: se destroçou toda virando uma carne moída. Mas fiz bem. Eu nunca que ia arriscar cortar aquela lingüiça numa tábua de quatrocentos reais.
Meu irmão voltou e quando viu que eu havia utilizado a tábua se horrorizou. Perguntei a ele o que ele queria que eu fizesse. Ele foi até a gaveta e retirou de lá um plástico de corte que deveria ser colocado sobre a tábua. Fomos somar o estrago feito e certificamos que havia sido feito alguns arranhões milimétricos na tábua, coisa quase imperceptível.
Pedi desculpas, mas ao mesmo tempo o culpei por não ter me instruído antes e me feito sofrer tanto na tentativa de cortar uma cebola.
Mas tudo acabou bem e eu pensei em lhes contar.
Até a próxima!


quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

ERA NATAL

Era dia 25 de dezembro e quase todo mundo havia sido feliz: um garoto intelectual ganhara um computador mais atual. O outro, metido à ciclista, ganhara a bicicleta. E o outro, que nem esperava por presentes, ganhara um jogo fascinante. As creches e hospitais se encheram de pessoas fantasiadas levando brinquedos usados às crianças, que se maravilharam.
Vi também nos olhos do menino de rua o brilho das festas natalinas. Aliás, foi ele quem mais de perto assistiu a transformação da cidade: árvores se colorindo... Lojas virando lugares mágicos... Papai Noel andando pelas ruas... Ficou por isso encantado com o espírito de Natal e se aquietou. Trocou o estilete por uma caixa de papel onde as pessoas, inspiradas pelo clima de boa vontade, depositavam trocados. E até aquele menino que, por ser quase adulto não conseguiu dinheiro algum, na Noite Feliz foi até o ponto mais alto da cidade e de lá, com um gosto de festa na boca, enterneceu-se tanto com o espetáculo das luzes, que se pôs a chorar: Era sua felicidade chegando como um presente de Natal.
Feliz Natal

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

SOBRE A GENTILEZA

                                          
Estamos na era da tecnologia. A velocidade com que se tem acesso às informações transcende em muito à nossa capacidade de absorvê-las, tal a rapidez deste acontecimento. Talvez, por absorvermos superficialmente estes conhecimentos (já que, com a velocidade com que nos são imputados, não nos sobra tempo para aprofundá-los) é que tenhamos deixado de lado a gentileza.
É fato que a sabedoria nos traz uma compreensão maior do outro e, portanto nos leva a lidar com este de uma forma mais tolerante e gentil. É fato também de que esta nos chega através do conhecimento. Na verdade, se fossemos pessoas realmente bem informadas e consequentemente sábias a prática da gentileza seria apenas mais um detalhe em nosso cotidiano. Estender uma mão, distribuir sorrisos, erguer um gesto de solidariedade num momento comum ou crucial faria parte de nós como qualquer uma de nossas características.
Hoje é tão difícil encontrar pessoas gentis que, aquelas que o são, deixam admiradas as que convivem com elas. Estas as denominam de muito elegantes ou, então, taxa-as de bobas (o que não é real porque quem é por natureza gentil começa sendo gentil consigo mesmo).
A gentileza abre portas. Atenua agressividades e instantes de mau humor. Dá dignidade a quem a recebe e consciência de humanidade a quem a propaga.
Qual não foi a minha alegria ao receber das mãos de um desconhecido gratuitamente um botão de rosas.
E quando um adolescente me cedeu o seu lugar num escritório?
E quando estava cheia de pacotes e alguém me ajudou a carregá-los até o carro?
Lembro que estes instantes me esquentaram o coração.
Do que já fiz não faço conta porque acho que custa muito pouco ser gentil.
Mas outro dia, no salão, cedi minha hora a uma cliente que precisava estar pronta às três. Quando ela perguntou como poderia me agradecer, menti lhe dizendo que o meu gesto fazia parte da corrente da gentileza e que ela deveria passá-la adiante fazendo o mesmo por outra pessoa.
Não custa tentar fazer daqui um mundo melhor.
A gente exercita a humanidade e se torna uma pessoa mais elegante.
Até a próxima