quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

PASSANDO APERTO

                                     


A gente sofre por detalhes que não têm tanta relevância assim como é o caso que vou lhes contar:
Fui conhecer a casa nova do sítio do meu irmão. Já havia ido lá algumas vezes para passear mas a casa não estava pronta. Quando ela ficou pronta aconteceu sua inauguração mas na época não pude ir. No fim de semana passado aproveitei a oportunidade de ir até lá passear e ver como havia ficado a obra.
Surpreendi-me com a beleza do lugar que estava todo florido e cheio de árvores frutíferas de onde provei frutos que eu até desconhecia. A casa mãe estava lá: toda imperiosa, pintada de tomate verde por fora e de areia por dentro. Toda rodeada de vidros dava para vislumbrar todo verde de qualquer parte dela. O closet lindo. Muito bem dividido. Uma beleza a banheira de hidromassagem de onde se podia, enquanto se banhava, curtir toda a paisagem ao seu redor A cozinha era imensa. Muito bem decorada com seus utensílios e seu fogão à lenha especialmente construído para aquele local. Meu irmão mostrou-me uma tábua de corte que havia ganhado de sua mulher e disse o preço dela: quatrocentos reais. Fiquei surpresa ao saber que existiam tábuas de corte naquele preço.
Ficamos eu e meu irmão conversando muito enquanto ele ao mesmo tempo dava ordens aos funcionários que ali trabalhavam dando um retoque final àquele conjunto.
Foi quando chegou o momento de prepararmos alguma coisa para comer.
Ele se encaminhou pro freezer e descobriu que ele estava desligado e que toda a carne que estava estocada havia se perdido.
Chateado por ter perdido as carnes especiais que havia comprado foi providenciar o enterro dela já que por ali não passava o lixeiro. Mas antes disso tirou da geladeira uma lingüiça e pediu que eu a preparasse juntamente com uma cebola que estava no cesto. Tendo feito isso foi embora dar seguimento ao que já citei.
Pus a lingüiça para fermentar e peguei a cebola para cortar. Quando procurei um lugar para cortar a cebola dei de cara com a tábua de quatrocentos reais. Lisinha, novinha, sem um furo, até brilhando. Pensei: — Meu Deus! Como eu vou cortar essa cebola nesta tábua nova deste jeito sem arranhá-la?
Olhei para a pia. Talvez eu devesse cortar na pia. Mas se a tábua custou quatrocentos reais a pia custou mil. Que que eu faço? Tábua pia, pia tábua, tábua pia, pia tábua, vou à tábua. Ai meu Deus! Fui para tábua! Olhei em frente havia um faqueiro de onde tirei uma faca para cortar a cebola. Quando olhei para a faca a lâmina brilhava. Falei: Meu Deus, isto deve cortar até pensamento. Mas vou adiante. Seja o que Deus quiser. Da próxima vez trago a tábua lá de casa de hum e noventa e nove. Pus a faca sobre a cebola em cima da tábua. Respirei fundo e comecei a tarefa. A faca estava tão afiada que cortava a cebola sozinha. Eu a segurava e quando chegava ao meio do legume parava e passava a empurrá-la suavemente afim de que ela não se encostasse à tábua quando chegasse ao final. Fui fazendo assim e por fim para minha surpresa consegui cortar a cebola sem nenhuma sequela. Nem imaginam o alívio que senti.
Fui cuidar da lingüiça  que estava no fogo. Retirei-a do fogão, despejei a água na pia e pensei: E agora? Como vou cortar a lingüiça? Não vai dar pra cortar na tábua, não! Vai arranhar a tábua toda.
Decidi: Cortei a lingüiça dentro da panela mesmo.
Imaginem então como ela ficou: se destroçou toda virando uma carne moída. Mas fiz bem. Eu nunca que ia arriscar cortar aquela lingüiça numa tábua de quatrocentos reais.
Meu irmão voltou e quando viu que eu havia utilizado a tábua se horrorizou. Perguntei a ele o que ele queria que eu fizesse. Ele foi até a gaveta e retirou de lá um plástico de corte que deveria ser colocado sobre a tábua. Fomos somar o estrago feito e certificamos que havia sido feito alguns arranhões milimétricos na tábua, coisa quase imperceptível.
Pedi desculpas, mas ao mesmo tempo o culpei por não ter me instruído antes e me feito sofrer tanto na tentativa de cortar uma cebola.
Mas tudo acabou bem e eu pensei em lhes contar.
Até a próxima!


5 comentários:

  1. ´´E isso aí vivendo e aprendendo.A arte de cozinha e por sinal uma bela cozinfa, não é definitivamenre para todos.

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  2. Até parece que o requinte do utensílio iria enriquecer o sabor do prato. Moral da história: linguiça é linguiça, não importa com o que foi partida.

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  3. Moral da história!
    Diga não ás futeis e inadequadas tabuas de 400 reais, servem para cortar e nem se podem arranhar !!!
    Viva o povo do real e noventa!
    Abaixo o capitalismoo!!
    Tenho dito!!

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  4. Não da para diferenciar a tabua nobre de uma comum digo eu: da vida não se leva nada ,tabua de quartocentos ou um real.

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  5. Viva as lojas de 1,99!!!!
    Viva a simplicidade da vida!!!!
    Viva a vida!!!!

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