segunda-feira, 16 de maio de 2011

SOBRE VIAGENS


Conversando com a minha irmã sobre viagens ela ponderou que estava viajando muito pouco este ano, concluindo ser impossível aproveitar férias sem as viagens.
Eu, que não viajo tanto assim, fiquei pensando no assunto e descobri que, quando me propunha,conseguia viajar muitas vezes em minhas horas de folga, mesmo estando em casa. Por exemplo uma viagem pelo meu guarda roupa..
É sim! Uma viagem pelo seu guarda roupa!
Você descobre tantas peças bonitas que você se esqueceu que tinha e tanta maquiagem (inclusive baton) que você encostou e esta super na moda. Você vai recordando das pessoas que te deram esta ou aquela peça. Um lápis ou um baton costuma trazer recordações que foram muito agradáveis. Além de você se descobrir com um novo guarda roupa ainda revive os momentos que foram importantes na sua vida.
Uma viagem pelo livro crime e castigo vai medir o seu amadurecimento desde a última vez que o leu.
Outras viagens: reler Rubem Alves com suas mensagens otimistas ou rir um pouco com Luiz Fernando Veríssimo.
Criar um novo álbum de fotografias que contam os seus momentos mais importantes pode ser também uma viagem muito prazerosa.
Outras:
Você pode reler seus e-mails mais bonitos e ler aqueles que, por falta de tempo, você ainda não acessou.
Você pode curtir mais os seus filhos que não estarão distraídos com alguma atração, mas vivendo o dia a dia: O que mais os impressiona? Quando sorriem mais? Meça a alegria que eles têm lhe dado relembrando aqueles momentos em que se mostrarão tão inteligentes!
Você pode bolar uma surpresa íntima pra fazer ao seu marido.
Você pode visitar aquela amiga com quem está em falta faz anos e até pensar em levar um presentinho como pedido de desculpas.
Você pode ir à feira hippie e já começar a analisar quais os presentes que você vai comprar pro fim do ano.
Fazer uma viagem no seu visual é prioridade. Mude a cor do seu cabelo.
Nada melhor que uma viagem pelos shoppings para subir o astral (é lógico que aproveitando para fazer umas comprinhas).
Você pode também começar a fazer aquele curso que vem protelando já faz algum tempo mesmo sabendo que irá lhe dar muita alegria.
Você pode bolar um almoço no sábado e chamar toda sua família.
Você pode ir visitar o sítio de seu irmão que já deve estar todo florido. Comer as frutas que estiverem nascendo ou simplesmente deitar na rede e ficar ouvindo Almir Sater...
Adriana Calcanhoto...
Deve haver também alguns lançamentos de filmes interessantes nas locadoras.
Lembra daqueles brotos que estavam florindo na praça. Vá ver em que flores eles se tornaram.
Troque fofocas com aquela colega de língua grande.
Se depois de todas essas viagens você ainda não conseguir aproveitar as férias em casa mude o seu cardápio. Experimente receitas novas na cozinha. Nada dá mais prazer do que saborear um almoço diferente principalmente se ele lhe recorda alguma viagem.


4 comentários:

  1. Esta sim é a viagem primordial: a do bem VIVER.Felizes aqueles que valorosamente saboreiam o doce de seu cotidiano num despertar diferente em momentos que passam e as vezes não o aproveitamos como deveriamos.Viajar nos leva a sentimento de poder ser livre por uns dias,mas a ¨liberdade está dentro da cabeça.

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  2. E mana. Como sempre aprendendo com você. Quem sabe assim a gente aprende que só nos resta viver... Beijo.

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  3. Quem lê viaja sobre mundos alheios, surgidos de dentro das outras pessoas. Escrever é um jeito de se afirmar historicamente. É desta maneira que o escritor sempre nasce hoje e renascerá amanhã: no ato de sua autodemiurgia. Os textos tem palavras de letras. Letras são símbolos sonoros e visuais que não possuem nenhum significado. Ninguém poderia explicar, afinal, como o conjunto de coisas que nada significam forma palavras cujo significado somente pode ser esclarecido com uma frase (outro conjunto maior de palavras). E assim, da absoluta insignificância de coisas, cria-se um texto: arranjo de realidade significante, combinação de nada que representa tudo. O entusiasmo (que significa literalmente "ter um Deus dentro de si") é a chama sobrenatural de compreensão do poeta (que quer dizer criador), daquele a quem se permite criar mundos. E o mundo? É também um conjunto de signos que nada significam enquanto não traduzidos nas palavras-coisas que podem existir: pensamentos, sentimentos, pessoas, objetos, ações... É neste texto-mundo que a vida existe e nós estamos, resignificando o nada para criar-se tudo. O homem é um deus de sua própria realidade. A literatura, um phantasma, mímese do mundo, imitação do nada. E assim, através da linguagem, o escritor demonstra o seu imenso poder de tranformar a realidade (intepretar é criar). As palavras da linguagem movem as palavras-mundo porque são feitas da mesma substância transcendental que nos permiter perceber, sentir, conhecer. O eterno pretérito da criação: é neste lugar que você foi colocada. É ai que você permanecerá: tentando traduzir suas dúvidas e involuntariamente trazendo, com isso, compreensão para as outras pessoas; tentando expor sentimentos revelando, sem querer, os dos outros. É como sentir dentro de si toda a realidade, mas sem conseguir atingir a própria identidade. O texto, afinal escrito, não é senão uma outra coisa que não aquilo que se escrevia: o relato de si é algo cruelmente diverso do sujeito (qual autor?) que se relata. Todo poder é também uma obrigação e uma escravidão. Desejo a você um ótimo novo ano, bons frutos na sua recursiva viagem de desencontrar-se encontrando os outros, capturar o futuro sempre traduzindo o passado. O que importa é o trajeto da flecha planando desde o intangível arco do nascimento ao inacabado alvo da existência. Parabéns...

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  4. O comentário de Leonardo não só circunnavega pelo meu interior como também atinge em cheio meu coração. Obrigada Leonardo

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