Pode até ter levado um tempo considerável mas, de repente, parece que foi de súbito.
Ontem mesmo você as aninhava em seus braços e elas cabiam todas dentro deles.
Curava um machucado com um beijo.
Contava-lhes histórias sobre Tilzinho, um cachorro pequeno e peludo cuja coragem era tanta que o levava a desafiar o Lobo (o maior e mais feroz cão de sua rua) numa disputa acirrada por um pedaço de osso.
Elas se encantavam.
Brincavam da cabaninha situada em uma floresta densa e selvagem (O jardim de sua casa), onde residiam fadas e bruxos poderosos que combatiam o mau.
Esconde-esconde, nem se fala! Quantas vezes você ficava por horas fingindo que não sabia onde elas se escondiam, criando um maravilhoso suspense até encontrá-las ou deixando que elas se antecipassem a você e gritassem: - pique!
Mas as crianças cresceram.
Uns são adolescentes, outros viraram adultos e até os que ainda são crianças, com o desenvolvimento desenfreado da tecnologia, cresceram antes do tempo. A estes as brincadeiras que você tem a oferecer são muito inocentes em comparação ao milhão de jogos pela internet. Você não entende dessas coisas. Você só entende de cantigas, de contos de fadas, de roda, de pula-pula, de viagens imaginárias. Você é um Dinossauro.
Pois é: as crianças cresceram
E hoje você as vê tecendo a própria jornada pela sobrevivência e na tentativa de também escrever o nome na história.
E você tem certeza que elas, cada uma, a sua maneira, o fará.
São todas quase gênios!
E aí vem aquela dor: Não poderá mais protegê-los. Porque o mundo lá fora não é fácil. Você bem o sabe! Há banalização de valores o que resulta na violência desenfreada. A competitividade
Impelindo o indivíduo ao aprimoramento como também o excluindo, incentivando-lhe o impulso de ultrapassar o outro a qualquer preço, ferindo assim a própria ética. Há um descaso pelo humanismo... Há que se questionar sempre para não ser ludibriado...
É! As crianças cresceram.
Lembra então com saudade de quando sempre tinha pra elas todas as respostas e quando não as tinha o silêncio já o era.
De quando torcia para que crescessem felizes como se apresentavam e sonhava sempre estar próxima, acompanhando-as passo por passo.
Agora, mais que nunca, você as quer feliz. Mesmo que isto lhe custe a ausência delas ou outro preço qualquer.
Por isso, todas as noites, mesmo não acreditando em anjos, você ora com fervor pro Deus Todo poderoso colocar em suas vidas o que for que exista: Anjo, espírito... Um protetor!
Pedindo que estes lhes tirem as pedras do caminho. Mas, se isso não for possível, que lhes aponte pelo menos as estradas menos íngremes, onde possam transitar, carregando livremente toda a beleza e o amor que elas lhes mostraram um dia.
As crianças cresceram...e algumas ainda vao crescer, com as suas palavras voei no tempo e pude ver a minha linda menina percorrendo esse mundo louco e senti exatamente o que voce sente, mais o que se torna mais importante é o que todas essas crianças que amam a tia levam consigo, todos os livros que ouviram atravez da sua voz e todas as vezes em que vc simplesmente com um olhar disse tudo e tenho certeza que elas sempre entenderam, tia, amiga e como eu falo aqui na nossa casa bisatia da Lara que é mais uma criança anciosa por todas essas brincadeiras que mesmo antigas marcaram a vida de todos...Lindo o que escreveu tenha um otimo fim de semana tia Marilia.
ResponderExcluirAdorei, me fez relembrar os bons momentos de minha infância e todos os seus encantos, nesses dias tão corridos. um grande beijo. Saudades
ResponderExcluiro importante é que nessas relaço~es com as crianças de nossas vidas atento e peço a Deus que tenha contribuido um pouquinho que seja em sua educação com meu amor.Afinal¨" Educai as crianças, para que não seja necessário punir os adultos."È isso que peço,pois a alegria de vê-los crescer eu já o tive e ainda tenho.Obrigada por me lembrar das crianças de minha vida.
ResponderExcluirPoxa tia, muito legal, mesmo, adorei...
ResponderExcluircomo a Dani disse, me fez relembrar a minha infância, das historias da maquina voadora, e do Tilzinho e bateu aquela saudade, da época em que um simples pedaço de papel, se tornava um capacete, ou uma espada.
Muito bom mesmo
É. Tais lembranças chegam a emocionar trazendo lembranças de muitas ilusões e ingenuidades. As "crianças" gostaram e eu também. Beijos.
ResponderExcluirOie tia! Simplesmente maravilhoso o texto! Ele traz saudades do passado, um tempo de brincadeiras simples e totalmente divertidas!A imaginação era o que nos movia. Lembranças boas que certamente ficarão por toda uma vida...
ResponderExcluirParabéns pelo Blog, está cada dia mais legal!
Eis que as crianças cresceram, e os adultos permaneceram crianças, recriando as memórias dos pequenos amadurecidos. É nos mais velhos que podemos ainda encontrar o cheiro e o sabor de tempos antigos, de crenças mais positivas, da religião inocente consolidada nas imagens de nossa senhora, dos profetas, dos santos, espalhadas pela casa da avó, em todo canto, a boa fé da tia, os gostosos lanches e os momentos de brincadeira despida de interesses adicionais, o sorriso dos pais, dos avós, isento de venenosos mistérios, fé inocente em um mundo que há muito não existe mais. E eles (os adultos) que achavam que os menores não sabiam sempre que eram percebidos quando se fingiam de escondidos! E eles que acreditavam proteger as crianças do sofrimento pelo mero esforço de sorrir quando se estava triste (como se elas não percebessem isso sempre)! E quando eles (os meninos) chegavam à adolescência, ninguém sabia explicar de onde viria tanto sofrimento se ainda ontem eles eram apenas crianças... Porém, eram crianças do mundo, os verdadeiros artistas, estes sim, capazes de esconder e poupar os adultos (seus pais, seus tios, irmãos, avós) de todos os problemas que os afligiam para não preocupar ninguém... É natural, tia, que os meninos adultos jamais deixem de ser crianças, mas é algo muito estranho notar que os avós, os pais, os tios, se tornam crianças a nossos olhos e, hoje, teríamos vontade de protegê-los pensando: "eles eram de outro mundo! Como podem sobreviver neste? É necessário encontrar um jeito de resguardá-los dessa nova realidade". Esta, que não fala mais de anjos, de atos de esperança, da consideração gratuita. Esta, que em lugar dos castelos de princesa erigiu Auschwitz. E assim, relembrando as mais inocentes memórias da nossa infância poderemos sonhar com o nosso passado e concluir que, no futuro, um outro mundo é possível, onde ainda possa existir alguém de verdade, que não sejam somente um personagem na hemorragia da história fatalista, objetiva, fria. Escrever, para quem gosta mais de ouvir que de falar, é um jeito de falar em silêncio (e demonstrar que as crianças não cresceram em vão).
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